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13 de janeiro de 2014

Resenha: A Casa do Mal - Dean Koontz


Eu encontrarei Frank, eu o matarei, eu o destruirei. Vou esmagar seu crânio, cortar seu cérebro em pedacinhos e despejá-los na privada... Se eu encontrar alguém que tenha erguido um dedo para ajudá-lo, cortarei seus dedos fora. Arrancarei os olhos de qualquer um que tenha olhado para Frank com simpatia. Juro que o farei. E cortarei a língua de qualquer sacana que lhe tenha dirigido palavras amáveis."

Sinopse:
   Frank Pollard desperta em uma vila, sem lembrar-se de nada além de seu nome. Mas ele sabe perfeitamente que está correndo enorme perigo. Refugia-se num hotel e, mais de uma vez, acorda com as mãos manchadas de sangue. E, a casa noite que passa, encontra nas mãos e nos bolsos estranhos objetos aterrorizantes... A ajuda a Frank vem da dupla de detetives Bobby e Julie Dakota, que, por compaixão e curiosidade, concordam em ir até o fundo e desvendar essas misteriosas e amnésicas fugas. Mas, à medida que os Dakota começaram a descobrir para onde se dirige o seu cliente, eles são atraídos a reinos sombrios, onde uma sinistra figura...

Opinião:
   A Casa do Mal é sem sombra de dúvidas um dos melhores livros de Dean Koontz e uma obra obrigatória para os fãs de terror. Pode-se dizer que faz parte da fase "agressiva" do autor na qual misturava personagens normais a tramas sobrenaturais e vilões grotescos com os mais estranhos e doentios poderes, criando um thriller de leitura viciante que mescla a tensão inerente ao terror com reviravoltas e cenas gore remanescentes do horror dos anos oitenta.  No Brasil a obra é considerada rara, com uma única publicação no inicio da década de noventa, são poucos os exemplares que se encontram a venda, assim como Fantasmas outro título do autor, talvez por não ser tão conhecido dos leitores os preços não são tão exagerados quanto às raridades do King. Porém A Casa do Mal faz valer a pena cada centavo gasto em sua compra.
   Diferente do que o nome faz acreditar o livro não se trata de casas assombradas, mas se refere a uma metáfora bastante comovente que mistura inocência e uma profunda compreensão das diretrizes do mundo. Dean Koontz é especialista em criar personagens carismáticos e profundamente reais aliando seu estilo narrativo rápido e contumaz consegue tecer tramas cheias de suspense e mistério. Mais do que tudo é um exímio contador de histórias, consegue prender a imaginação do leitor e transportá-lo para lugares fantásticos onde o bem e o mal travam suas silenciosas batalhas no coração dos homens. Enquanto Stephen King domina os cenários sombrios do Maine no leste americano, Dean Koontz mostra que o ensolarado oeste também possui sua cota de horrores.
  "Vagalumes em um vendaval". É com essa curiosa frase que Frank Pollard desperta em meio a uma rua deserta. Como cenário de fundo, uma praia californiana com suas palmeiras balançando com o suave toque o vento e o inconfundível som das ondas na areia. Porém essa calmaria é superficial, a brisa possui um toque gélido e a impressão de que olhos observam a partir da escuridão traz um arrepio que surge do fundo da alma. Frank não sabe onde está e não tem a mínima ideia de quem possa realmente ser a única certeza é do perigo que o espreita, algo tão terrível que impressão deixada em sua mente é forte demais para ser apagada pela amnesia. Sua única chance de salvação é correr, fugir sem direção buscando um refugio inexistente. Koontz nas primeiras páginas já deixa o leitor imerso em tensão, sabe-se que algo maligno está escondido por trás das frases e palavras, mas invisível ao olhos passa sorrateiramente pelo canto da visão, partilhando com protagonista o medo e terror.
   Ao mesmo tempo o leitor é apresentado ao casal de detetives Bobby e Julie Dakota, o autor tem um carinho especial para tecer a relação existente entre os dois, apesar de ser os mocinhos não personificam o clichê de heróis sendo cada um dono de sua própria personalidade. Bobby possui um senso protetor gigantesco com relação a sua esposa, é instintivo e guiado pela emoção, o oposto de Julie que é quem faz o que tem que ser feito, mesmo que isso seja questionável às vezes, guiada pela razão e sem dar vazão ao sentimentalismo no trabalho forma uma dupla diferente e ao mesmo tempo perfeita com seu marido. Há mais personagens que tem relevância ao enredo, mas não falarei deles para não estragar a surpresa e emoção de descobri-los durante a leitura, a capacidade de surpreender presente na história é seu principal trunfo.
   Mas a construção mais admirável de Koontz no livro é seu vilão. Definitivamente um dos mais cruéis, profundos e violentos que ele deu vida. Uma mistura de serial killer com poderes sobrenaturais elevando o grau de periculosidade e tornando-o perturbado no sentido mais doente da palavra. Destaque para a maneira como o leitor entra na mente do psicopata nas suas investidas mais sangrentas além de experimentar as sensações finais de algumas de suas vítimas.
 "Deus dera a Candy o gosto por sangue, fizera dele um predador e, portanto, Deus era responsável por qualquer coisa que Candy fizesse; sua mãe lhe explicara tudo isso havia muito tempo. Deus queria que ele fosse seletivo ao matar; mas quando Candy era incapaz de se conter a culpa na verdade era de Deus, pois fora Ele quem incutira em Candy o desejo de sangue, mas não lhe dera força de vontade suficiente para controlá-lo."
   Em A Casa do Mal, Koontz fala sobre a condição humana mostrando o que existe de mais belo e o contraste com o lado mais obscuro da alma. Consegue tirar do leitor as mais diferentes reações, deixando-o triste com as derrotas e feliz com as conquistas,  tenso quando o protagonista é encurralado e aliviado quando a fuga se concretiza. Misturando suspense, horror, um toque de ficção cientifica e fantasia criou um livro maravilhoso que irá mais que agradar os fãs do gênero iniciará em muitos a paixão pelo terror. Leitura Obrigatória!

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

9 comentários :

  1. Nossa, fiquei animada com esse livro. Pena que é difícil de encontrar, mas se qualquer dia desses eu der de cara com um exemplar, não vou exitar em comprá-lo. Mais uma ótima resenha, parabéns!

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  2. Cara faz uns 5 anos que eu dei uma lida neste livro, e um dos meus preferidos do Dean Koontz junto com Velocidade e Os Olhos do Dragão !

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  3. Acho que meu xará Andre se enganou no comentário. Os Olhos do Dragão é um livro do Stephen King. Se não me engano o do Koontz se chama Lágrima do Dragão! Eu tenho esse livro da Casa do Mal, porém ainda não o li.

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  4. A Casa do Mal é O livro para se ter em uma estante de terror. O livro do Dean chama-se Lágrimas do Dragão e se não me engano é seu unico livro que teve duas edições aqui no Brasil, eu o li também já tens uns bons 3 anos, possui uma temática parecida com A Casa do Mal, um vilão com superpoderes porém este segundo é bem melhor. Velocidade é meu favorito, tirando a série do Odd, dos lançamentos do Koontz no século XXI

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  5. Troquei as bolas ... Mais o importante e que o Sr Dean koontz e muito bom ! Rafa se tiver como vc conseguir o livro Intensidade do Sr Koontz, pode ler cara e muito bom !

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  6. Eu li Intensidade essa semana e como disse é muito bom! Dá pra notar que o Dean já estava mudando o seu estilo do sobrenatural para a maldade humana. O vilão é um dos melhores que já vi e o ritmo intenso demais. Em breve resenha!

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  7. Eu já tinha esquecido desse livro... faz um tempo que o li. Foi impressionante! Eu cheguei a pegar outros livros dele pra ler, mas nunca o fiz :/ Vou ter que corrigir esse equívoco (mais um) de minha parte.
    Amei a resenha =)

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  8. Esse livro, pra mim foi o melhor do Koontz. Tem um final ótimo, que a gente fica pensando por dias e dias... Outro que gostei foi o Do Fundo dos Seus Olhos, achei o vilão do livro bem legal e engraçado. De resto, parabéns pelo blog, estou anotando várias sugestões.

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  9. Este livro é bom demais inesquecível.

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