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19 de dezembro de 2013

Resenha: Wild Cards #2: Ases Nas Alturas - George R. R. Martin


Sinopse:
   Depois do vírus alienígena, um ataque vindo do espaço. Estamos no início dos anos 1980, há mais de trinta anos a humanidade convive com os atingidos pelo xenovírus Takis-A, mas a integração ainda caminha a passos lentos. Os abençoados pelo vírus, os ases, combatem os perigos da Nova York que nunca dorme. Os amaldiçoados, com suas deformidades causadas pelo vírus, lutam pela sobrevivência no Bairro dos Curingas. E, no céu, uma ameaça espreita a humanidade, aguardando a oportunidade certa para lançar seu ataque. Um ser extraterreno chamado o Enxame ruma para a Terra, ao mesmo tempo em que alguns ases planejam uma conspiração para controlar o mundo.
    Entre jogos de aparências, teletransportes e irmandades envoltas em mistério, forças de ases e “limpos”, seres humanos não infectados pelo vírus, se unem para combater o monstro alienígena e a terrível Ordem que se esconde no Mosteiro de Nova York. Este segundo volume da série Wild Cards conta com a participação de novos gênios da fantasia e do próprio organizador, George R. R. Martin, autor do best-seller Crônicas de Gelo e Fogo. As cartas da humanidade estão na mesa!

Opinião:
   A série Wild Cards começa a tomar forma com Ases Nas Alturas, diferente do primeiro livro na qual há uma variedade de histórias distintas entre si com o objetivo de apresentar alguns personagens, neste segundo volume uma narrativa mais sólida se inicia criando uma espécie de continuidade que traz mais ação e profundidade a saga.  Wild Cards acaba se tornando uma verdadeiro mosaico da cultura pop na época que foi escrito, os gloriosos anos oitenta, com referencias que vão desde a celebridades e acontecimentos marcantes a uma mescla altamente inteligente com a literatura criando uma amplitude e crivelidade maior ao universo das cartas selvagens. Referencias que vão das criaturas de Lovecraft, passando pelos aliens de Jack Finney e sua mutabilidade até o mito do Frankenstein de Marry Shelley. O nome em inglês faz referencia ao badalado Aces High o restaurante das estrelas, ondes os áses e famosos fazem suas refeições e encontros que decidem o futuro são realizados.
  A divisão temporal dos contos continua a mesma utilizada no volume anterior com pequenos interlúdios que servem tanto para marcar a troca de história e protagonista como para interligar as duas tramas através de pequenas menções de artefatos e acontecimentos. Que se manifestam nos relatos de Jube, um extraterrestre que se passa por um curinga, e que de maneira subjetiva está ligado a tudo o que ocorre nas páginas, escritos por George Martin esses interlúdios demonstram toda a sua sagacidade através da qual ele costura as tramas que formam Ases Nas Alturas, unindo estrategicamente as histórias e dando o tom de continuidade que aparece no texto. Muitas vezes explicando algo que outro escritor deixou vago ou relembrando algo importante para o próximo conto sua escrita funciona bem, sem esses toques a fluidez do livro estaria totalmente prejudicada.
  Em Moedas Infernais o escritor Lewis Shiner retoma sua criação, um dos personagens mais marcantes da série, Fortunato em uma aventura que é o prólogo do livro tendo o centro de sua ação sendo em 1979. Fortunato ainda continua sua busca pelos motivos do assassinato de sua gueixas e após quase dez anos de procura começa a descobrir camadas de escuridão a sua frente, um culto antigo ainda sobrevive as margens da sociedade e seus planos são tornar concreta a vinda de um ser um ser intergaláctico conhecido apenas como TIAMAT.  Fortunato, o herói sensual (para quem não sabe ou se lembra, ele consegue seu poder através do sexo) embarca numa investigação em mundo de ocultismo regado as criaturas de Lovecraft e lendas sumerianas.
  Walter John Williams vem a seguir com o prólogo de Até a Sexta Geração que estende a mais três partes, sem dúvidas é o grande nome entre os autores desse volume criando nada mais que o enredo principal de onde surgem pequenos braços que são utilizados pelos outros escritores para ampliar a trama. Neste prólogo o leitor conhece a ameaça da Mãe do Enxame e sua natureza destruidora além de que sua atenção está voltada para a Terra, um planeta objeto de cobiça por seu clima favorável a vida. Nas partes seguintes é narrado todo o processo de invasão e a consequente guerra que se deflagra tendo as criaturas da Mãe do Enxame (que sempre me lembram os Invasores de Corpos de Jack Finney) e os áses. Williams também introduz Modular, um androide criado por um cientista humano, em uma referencia (mencionada até como piada) a Frankenstein.
  Roger Zelazny retorna em Das Cinzas às Cinzas com o dorminhoco Croyd Crenson, um ás cujas habilidades se modificam todas as vezes que dorme, de modo que é o único personagem que ainda está jogando com as cartas selvagens, as vezes a sorte lhe sorri e ele tira um ás, mas quando um curinga sai ele sabe se virar muito bem. Em Se Olhares Pudessem Matar, Walton Simons apresente James Spector o homem que pode matar através de um olhar. Também passamos a conhecer mais sobre o culto que Fortunato descobre e a mente por trás das coisas, o Astrônomo. A Contribuição de Martin fica por conta de Frio Invernal, uma dissecação da alma do Grande e Poderoso Tartaruga.
  Melinda Snodgrass e Victor Milan dão continuação a "segunda parte" da história iniciada por Matin com Dificuldades Relativas e Com uma Ajudinha dos Amigos, história tendo como protagonistas o Tartaruga, Dr. Taychon e o Dr. Mark Meadows. É um novo arco da trama que se desdobra com facilidade e empolga o leitor após os acontecimentos envolvendo a Mãe do Enxame. Pat Cardigan com Por Caminhos Perdidos e John J. Miller através de Metade Morta dão conclusão as duas ameaças que assolam o livro todo a Terra.  E com mais um dos relatos de Jube, Martin encerra este segundo volume de maneira fenomenal abrindo espaço para os que virão a seguir. Uma leitura bastante indicada para os amantes de ficção cientifica.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

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