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26 de dezembro de 2013

Resenha: A Roda Do Tempo #1: O Olho do Mundo - Robert Jordan


Sinopse:
   Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará.
   Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al'Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno - o mais rigoroso das últimas décadas -, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira.
   Quando a vila é invadida por Trollocs, bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os apresenta àquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido, aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

Opinião:
  O Olho do Mundo é aquele épico de fantasia gigantesco que se destaca nas prateleiras e atrai a atenção dos amantes de literatura fantástica. Logo na capa há comparações ao mestre Tolkien e logo me veio a lembrança de outras sagas recentes comparadas ao George Martin e um desgosto começou a subir garganta. Muitas editoras se utilizam dessas comparações para vender livros, podemos encontrar nas estantes o resultado da literatura de terror dos anos 80 são dezenas de livros de autores desconhecidos, e que com quase noventa por cento de acerto é única obra deles publicada no Brasil, sendo comparados a Stephen King, Dean Koontz como novos nomes no gênero. Mas com O Olho do Mundo foi muito diferente. Após ler o livro posso afirmar com certeza absoluta de que a saga da Roda do Tempo está sim a altura de Senhor dos Anéis de Tolkien. Robert Jordan é um escritor fenomenal, não cria mundos e personagens, mas dá vida a universos e pessoas.
  Este primeiro volume conta com humildes oitocentas páginas de história, sendo as ultimas quinze dedicada ao glossário, e está dentro da média da série que conta com livros muito maiores. Prepare-se para ganhar alguns músculos a mais no braço durante a leitura. São ao total 14 volumes que compõe a fantástica saga de A Roda do Tempo que começou a ser escrita em meados de 1984 com Olho Mundo cuja publicação só ocorreu mesmo em 1990. Robert Jordan é o pseudônimo de James Oliver Rigney, Jr e o minha adoração por essa cara só cresceu a cada página lida. Enquanto avanço na leitura tenho a mania de pesquisar sobre o autor e conforme a paixão pelos personagens aumentava e as páginas voavam nas longas noites descobri sobre a quantidade de volumes e a consequente morte do escritor. A Roda do Tempo teve seu ápice com a publicação de Knife of Dreams (A Faca dos Sonhos, tradução livre) o décimo primeiro volume em 2005. Não demorou muito para entrar na lista dos mais vendidos, sendo o quarto livro seguido da saga a já inaugurar sua posição na lista em primeiro lugar. Isso ocorreu em Outubro e dois meses depois Jordan recebe a noticia de que está com uma doença terminal em seu coração. O autor começou então os preparativos para concluir a série e de morrer antes de conseguir, foram dois anos dedicados a Roda do Tempo até seu falecimento em 2007. Como resultado nasceu o gigantesco manuscrito de A Memory of Light, sem conclusão mas que pelas mãos hábeis de Brandon Sanderson ganhou a forma de três volumes finais que concluíram então a série, tendo o ultimo volume publicado no final deste ano.
    Há ainda muitos motivos para se ler o Olho Mundo além da paixão e dedicação do escritor.  Mas como leitor o principal é a habilidade do autor de sugar quem está lendo para dentro do seu mundo, é fácil perder a noção do tempo quando se está com os livro em mãos, e difícil abandonar a leitura, fica sempre aquela impressão de que se fecharmos as páginas os personagens continuarão em suas jornadas e é capaz de nos deixarem para trás, a sensação de que história continua acontecendo mesmo com as páginas fechadas. O elo que se forma entre o leitor e obra é muito forte. Qualquer um que tentar resumir a história de Olho do Mundo em poucas páginas fracassará devido a profundidade da trama, são vários livros e perto do volume de páginas total, que ultrapassam onze mil, parece que a leitura será pesada e enfadonha mas não. Robert Jordan é direto e não faz rodeios ou escreve acontecimentos só para encher páginas, a impressão é que ele até cortou algumas coisas pra história ficar daquele tamanho, cada passagem é necessária para ilustrar o aprendizado e a evolução dos protagonistas ao longo do livro. A sinopse fala o básico que você precisa saber para entrar no mundo de Rand al'Thor, mas mesmo assim dá uma leve vantagem de saber o que vai acontecer pelo menos nos primeiros capítulos o que é ruim porque a sensação de tudo está acontecendo naquele exato momento é meio que cortada. A melhor maneira de aproveitar é indo no escuro, se surpreendendo tanto quanto os personagens. Altamente indicado para fãs de fantasia.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 

4 comentários :

  1. Estou lendo agora Rafa e concordo com cada palavra sua, o meu medo é que ouvi dizer que se não vender bem, a editora não vai publicar os outros...e aí como ficamos? chato isso...

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  2. Olá Rafa, também estou lendo O Olho do Mundo, já passei da metade mas ainda não consegui me apegar tanto aos personagens. Fora isso, é realmente tudo o que você escreveu, realmente muito bom.
    http://bibliotecadomedo.blogspot.com.br/

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  3. Bom Patricia seria péssimo se algo assim acontecesse. Se a Editora publicar conforme foi revelado, dois volumes por ano levarão quase 7 para termos a Roda do Tempo completa por aqui, mas infelizmente livros de fantasia desse porte não atraem a grande massa leitora brasileira. Acho que se for pra começar algo tem que levar até o fim, outra editora agora falida já tentou trazer a série para cá mas parou no terceiro volume... Enfim é por essas e outras que uma das minhas metas esse ano é aprender inglês, deste modo não precisarei mais esperar uma tradução e implorar as editoras para traduzirem livros de terror dos grandes mestres...

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  4. Ganhei esse livro num sorteio, e achei a capa e o título dele meio imponentes. Fiquei curiosa, porém desanimei também com a comparação a Tolkien (não gosto desse tipo de jogada das editoras). Então fiquei com um pé atrás para lê-lo, porque, caso fosse ruim, a leitura seria muito demorada por conta da extensão da história. Mas sua resenha me animou novamente ^^
    sete-viidas.blogspot.com

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