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4 de novembro de 2013

Resenha: Caverna de Ossos - César Bravo

Sinopse:
   A questão é: O que você faria? Uma bela manhã depois de uma noite de tempestade você resolve brindar o sol com seus olhos. Você está na tranquilidade de sua casa até que abre a porta... E agora você está em uma ilha; os vizinhos ao seu lado não são os mesmos, a casa dos vizinhos ao seu lado não é a mesma. Sua família entra em pânico, você entra em pânico, o mundo de um dia para o outro passa a ter a impossibilidade física de fazer sentido. Com as famílias que acordaram em Paraíso aconteceu o mesmo. E junto com toda essa novidade encontraram manuais com sua nova vida. Ar condicionado, novas escolas, novos empregos, novos e altos salários. Enfim; nada é tão mal assim. Mas a noite o nevoeiro e os gritos tomam as ruas. Sempre depois da sirene que toca as oito a valentia de cada habitante da ilha é testada e toda mãe tenta trazer o filho de volta à placenta.   Um lugar maldito que atrai a dor como a luz de um lampião atrai mariposas. Ninguém acorda no Paraíso por acaso. Ou no Inferno.   A questão é: E se você estivesse preso em uma ilha onde pessoas desaparecessem; e morressem?

Opinião:
    Hoje em dia na literatura brasileira os novos autores que se aventuram a criar optam por iniciarem seus trabalhos com pequenos contos, sejam eles publicados em sites próprios ou alguma antologia que reúna variadas histórias que convergem a um mesmo tema.  Poucos evoluem acima disso conseguindo escrever um romance, a maré carrega os mais fracos, e desses um número ainda menor o faz com êxito. César Bravo é um desses casos, em Caverna de Ossos demonstra que seu talento com as palavras presente em seus contos se estende a histórias mais longas e complexas. Com mais de quatrocentas páginas e um enredo rico em detalhes o livro me surpreendeu, se qualificando como uma das melhores obras nacionais que li.
   Caverna dos Ossos não se retém a um gênero em especial, há momentos em que o suspense é arrepiante, outras em que as cenas de horror são tão sangrentas que os dedos ficam manchados de vermelho, porém em contrapartida há um “que” de fantasia além do humor negro referencia em suas obras. César possui um toque especial que até hoje não encontrei em nenhum outro escritor, uma espécie de envolvimento entre personagem e leitor influenciados pelo narrador/autor que só pode ser plenamente entendido com a leitura de sua história. Por exemplo, em uma situação de horror em que o risco de morte ao personagem é grande, mas as alternativas de sobrevivência são escassas surge à voz do autor, se destacando na narrativa, dando apoio a sua criação, encorajando-a a prosseguir ou em incentivando a lembrar de algum acontecimento, sempre ocorrendo uma interação diferenciada entre criação e criador.
   A estória se passa em uma misteriosa ilha que a primeira vista parece ser o paraíso. Famílias inteiras têm suas casas "mudadas" para lá da noite para o dia e a confusão só aumenta quando os recém-chegados acordam e descobrem uma espécie de cartilha, que contém tudo o que devem saber sobre o novo lugar, escolas, supermercados e os novos empregos que lhe foram designados. O mais estranho de tudo é o severo toque de recolher imposto, após a sirene tocar ao anoitecer ninguém pode ficar nas ruas ou coisas ruins acontecerão. O autor consegue mesmo neste ambiente fantástico tecer uma camada de naturalidade instigante que conforme a trama se desenvolve é dissolvido em meio ao horror paranormal.  Muitos segredos envolvem a origem e o significado da Ilha e isso é explorado ao máximo, as perguntas se acumulam ao longo das páginas para no final tudo fazer sentido ou tanto quanto possa ser possível.
   César Bravo demonstrou um carinho especial ao dar vida a seus protagonistas, são todos críveis com problemas reais que qualquer um de nós poderia enfrentar. Não há extremos que dividam heróis e vilões o que existe é uma realidade quase chocante em que palavras como bondade e maldade dependem apenas do ponto de vista observado. Em cada estereótipo social utilizado, seja no marido bêbado ou no pai racista, na mãe submissa e no filho rebelde há uma crítica profunda e ácida aos costumes tradicionais. O autor deixa a cargo do leitor condenar ou absolver. No fim a moral que se vivencia e aprende com a leitura evidencia o quão especial à estória se torna para cada um. São muitas as ideias que podem ser tiradas e reflexões absorvidas, tudo depende de você.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

2 comentários :

  1. Rafa, não achei este livro pra comprar em lugar algum, se souber onde posso encontra-lo ficarei grato. Comprei vários livros tendo como base suas resenhas, citando alguns: Furia Lupina Brasil e Central, Sombras do Castelo, Haverlly Hills, Mortos Vivos, Coração Satânico, A Casa do Mal, O Desfiladeiro do Medo, As Ruínas, Trama da Maldade, O Fortim, Represália, Fantasmas. Enfim, gosto muito do blog e de suas resenhas. Abraço, Maurilei.

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  2. Muito boas as críticas sobre este livro, creio que será minha próxima aquisição.

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