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27 de março de 2013

Resenha: Os Doze - Justin Cronin



Eu sou um homem que caminha sozinho
E quando eu estou andando por uma estrada escura
À noite ou passeando pelo parque
Quando a luz começa a mudar
Eu às vezes me sinto um pouco estranho
Um pouco ansioso quando está escuro
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho um medo constante de que sempre haver algo por perto
Medo do escuro, medo do escuro
Eu tenho uma fobia de que alguém sempre está lá
                                      Fear Of The Dark - Iron Maiden


Sinopse:
                 Em A passagem, doze prisioneiros sentenciados à morte foram usados em um experimento militar que buscava criar o soldado invencível. Mas a experiência deu terrivelmente errado. Um vírus inoculado nas cobaias acabou com qualquer resquício de sua humanidade e elas fugiram, matando ou infectando qualquer um que cruzasse seu caminho.                                   Os infectados se tornavam virais obedientes a seu criador, mais um de seus Muitos. No caos que se formou a única chance de sobrevivência para a espécie humana eram fortificações altamente protegidas. Assim se formou a Primeira Colônia, um reduto a salvo dos virais, mas isolado do resto do mundo. Noventa e dois anos depois, uma andarilha surgiu às portas da Colônia. Era Amy Harper Bellafonte, a Garota de Lugar Nenhum, aquela que iria liderar um grupo de colonos e...
            Agora, cinco anos após ter cruzado as Terras Escuras em busca de respostas e salvação, seu grupo está separado. Cada um seguiu seu caminho, mas seus destinos logo voltarão a se cruzar, num embate definitivo contra uma ameaça mortal. Fanning, o Zero, aquele que deu origem ao apocalipse, tem planos para refazer o grupo dos Doze e conta com um aliado poderoso, disposto a qualquer coisa em nome da própria imortalidade. Segundo livro da trilogia A passagem, Os Doze nos faz questionar a mente humana, os avanços científicos e a busca do poder que leva a uma certeza sombria de nossa capacidade para o mal. Mas, acima de tudo, ele reforça nossa esperança em uma humanidade que se adapta, sobrevive e não se rende.

Opinião:
     Depois de uma grande espera finalmente Os Doze foi lançado no Brasil, para você que como eu ansiosamente esperou por isso fique tranquilo não darei nenhum spoiler nesta resenha e para você que ainda não leu A Passagem eu recomendo que leia imediatamente!  Sem duvidas ao lado da Trilogia da Escuridão de Del Toro, a Trilogia A Passagem é em décadas o melhor que a humanidade produziu sobre vampiros em livros, o antigo mito foi modificado e no novo século somos nós mesmos que criamos a nossa destruição. A grande novidade entre esses romances é um vírus como o causador do vampirismo, sendo transmitido através da mordida e contato com o sangue do infectado. Os Doze tinha como tarefa dar continuidade a grandiosa saga criada por Justin Cronin, mas será que seria tão bom quanto o primeiro volume? Como se desenvolveria a história? As expectativas dos leitores serão saciadas com o novo livro? Bem responderei a essas e outras perguntas a seguir, mas antes vamos relembrar como a disseminação do vírus começou...
    Em a Passagem a história começa quando um cientista, ganhador do premio Nobel, descobre um vírus nas profundezas úmidas da floresta tropical Amazônica. Logo com a ajuda do governo americano, pesquisas se iniciam na tentativa de através dessa nova descoberta criar super soldados para isso são escolhidas 12 cobaias, homens cuja morte passará despercebida para a sociedade, presidiários que por seus crimes cruéis e violentos estão na fila do corredor da morte. A experiência dá certo e novas criaturas são criadas e chamadas de virais, porém os cientistas descobrem não possuir nenhum poder sobre esses monstros e sua insaciável sede por sangue e então é que por ironia do destino as coisas começam a dar errado. Numa sucessão de reviravoltas somos a um mundo de destruição causado por esses virais que em poucos meses se espalham por toda a América do Norte com uma grandiosa mão de doze dedos levando morte e desolação por todos os lados.
    Os Doze começa com uma espécie de resumo sobre os acontecimentos do primeiro livro e contrariando as expectativas ao invés de ir direto mostrando o que aconteceu aos protagonistas, a história volta ao ponto de partida quando a infecção dos virais se espalhou. Fui surpreendido por essa abordagem do autor e confesso que gostei muito, uma das coisas que faltou em A Passagem foi uma exploração mais profunda do Apocalipse, na história é visto sob as perspectivas de Wolgast e Amy que se escondem da civilização e acompanham tudo através de notícias atrasadas pelos jornais. Neste livro Justin de maneira hábil e inteligente insere novos personagens lutando pela sobrevivência nos dias que iniciaram o apocalipse, em meio a corpos em decomposição e uma cidade mergulhada em caos, você leitor encontrará a melhor história apocalíptica desde a Dança da Morte de Stephen King.
    Cronin cria personagens profundos e pessoais, altamente identificáveis com as variadas personalidades dos leitores. Após a grande noite sangrenta onde a maioria dos seres humanos morreu ou se transformou, alguns poucos sobreviventes escaparam da matança e agora solitários tentam manter a lucidez diante da visão do de sobrou do mundo. Alguns personagens são memoráveis, como Danny Chayes, que me lembrou bastante o Tom Cullen da Dança da Morte, que escapou por pura sorte e talvez por ser autista trancado em casa com a sua mãe morta ele pensa no porque do mundo estar parado e silencioso, as pessoas caídas na rua sem se mover e as sombras que se esgueiram de noite buscando algo que ele não consegue entender... A maneira inocente com que ele vê o apocalipse é encantadora.
    Os Doze difere muito em termos de enredo e foco da história de A Passagem. O primeiro livro destacou o horror da sobrevivência, criaturas horrendas, o terror apocalíptico e um ambiente totalmente desesperador e deprimente. Já na sua continuação o foco é mais no suspense e na ação, na evolução que tanto os humanos quanto os virais passaram para viver em um mundo devastado e sem esperanças e os arremedos de sociedade que surgiram esparsas no meio do deserto desolado. Com uma narrativa não linear, atravessando as barreiras do tempo Cronin nos conta uma história fantástica de um novo mundo e de um novo horror: Os Doze e seus muitos. Outro ponto destacável é a evolução dos protagonistas tanto emocionais como psicologicamente já que a história acontece cinco anos depois do final da Passagem.
    Enfim como todo segundo livro de uma trilogia, Os Doze serve mais para aumentar o universo criado por Justin Cronin e como um prelúdio para o fim, o tão esperado final. O autor com sua escrita emocionante e hábil criou uma sequencia digna de A Passagem, cheia de muito suspense e reviravoltas numa trama tecida devagar, mas de maneira perfeita com nenhum ponto fora do lugar. A sensação final ao terminar o livro é como ter lido três livros diferentes cujas tramas se unem ao fim com uma grande surpresa formando uma história importante. O que resta agora é iniciar a espera novamente, agora por A cidade dos espelhos.

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras)

8 comentários :

  1. Olá!
    Á muito tempo que não via uma resenha com essa qualidade. Mal posso esperar para ter Os Doze em minhas mãos!
    Já estou seguindo o blog.
    Abraços!

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  2. Muito boa a resenha, bem escrita e mata um pouco da minha curiosidade para Os Doze, parabéns! Confesso que fiquei esperando um pouquinho mais de spoilers, mas isso é um defeito meu, já que ainda não comecei a ler A Passagem, mas eu já comprei e chega na semana que vem e tenho certeza que não vou me arrepender.
    Abraços!

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  3. Ainda não li A Passagem, mas fiquei mega curiosa agora.
    Ah, tô seguindo você!

    Um beijo, Karine Braschi.
    http://geekdebatom.blogspot.com.br

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  4. Olá, tudo bem. Meu nome é Ulisses Sebrian e sou escritor. Vim te apresentar os meus livros. Estão disponíveis para ler nesse link. http://migre.me/dUvmP
    Ou se preferir entre em meu blog e na barra lateral tem as capas dos livros basta dar um clique na foto e ler. http://truquedevida.blogspot.com.br/ Obrigado e muito sucesso e felicidades para você.

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  5. Mandou muito bem!
    Esperei muito por este, e esperarei pelo terceiro livro.
    Confesso que não conhecia o blog e pretendo passar por aqui mais vezes.
    Abraç0s

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  6. Eu comecei a ler A Passagem, mas não consegui terminar. Pretendo agora voltar a ler para pegar a continuação.

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  7. Eu li o livro e amei cada capitulo da historia. Os Dozes e um dos melhores que ja li, e depois que li o primeiro livro foi incapaz de não querer ler o segundo. São 591 paginas de puro tensão, não consegui parar de ler um minuto. To louca pra ler o próximo livro "A cidade de espelhos", mal posso esperar, e também recomendo, Justin Cronin vc e o melhor. #superansiosa

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  8. Oi adorei sua resenha!.. muito obrigado, me fez se interessar pelo livro....mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

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