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4 de setembro de 2012

Resenha: A Estrada - Cormac McCarthy



“Com cada livro, Cormac McCarthy expande o território da ficção norte-americana” Newsweek

“McCarthy dá voz ao indizível (...) essa é uma arte que assusta e ao mesmo tempo inspira” Janet Maslin, The New York Times

“Um extraordinário conto de humanidade em ruínas – um que todos devemos ler” Daily Mail

“A Estrada é McCarthy no melhor estilo de Dostoiévski. É um romance de profunda seriedade, oferecido como um presente”Time Out London  

Sinopse:
Num futuro não muito distante, o planeta encontra-se totalmente devastado. As cidades foram transformadas em ruínas e pó, as florestas se transformaram em cinzas, os céus ficaram turvos com a fuligem e os mares se tornaram estéreis. Os poucos sobreviventes vagam em bandos.
Um homem e seu filho não possuem praticamente nada. Apenas uns cobertores puídos, um carrinho de compras com poucos alimentos e um revólver com algumas balas, para se defender de grupos de assassinos. Estão em farrapos e com os rostos cobertos por panos para se proteger da fuligem que preenche o ar e recobre a paisagem.
Eles buscam a salvação e tentam fugir do frio, sem saber, no entanto, o que encontrarão no final da viagem. Essa jornada é a única coisa que pode mantê-los unidos, que pode lhes dar um pouco de força para continuar a sobreviver.
A Estrada representa uma mudança surpreendente na ficção de Cormac McCarthy e talvez seja sua obra-prima. Mais que um relato apocalíptico, é uma comovente história sobre amadurecimento, esperança e sobre as profundas relações entre um pai e seu filho.

Opinião:
   A Estrada é um romance que chega a ser selvagem devida a força e profundidade com que toca o leitor, poucas vezes um livro conseguiu ser tão perturbador e emocionante ao mesmo tempo. McCarthy é dono de um estilo próprio de escrever que instiga a curiosidade, tudo é descrito de maneira tão simples, mas tão complexa ao mesmo tempo: os olhares, os diálogos e os silêncios são muito reais...
    A história acontece em um futuro apocalíptico onde a Terra foi devastada e os poucos sobreviventes lutam para viver em um mundo morto e sem esperanças. O diferencial dentre tantas as outras histórias com o mesmo tema é que a destruição da sociedade não é importante, não há nenhuma descrição do pânico que tomou conta das ruas, das mortes e assassinatos... O objetivo narrativo é mais simples e difícil, relatar a ruína humana perante o fim de tudo o que se conhece, a partir da visão de um homem e de seu filho que apesar de viverem em um mundo sem esperança se negam a se entregar a morte. Eles lutam com todas as forças contra ladrões e todo tipo de estranho que há pelo caminho, porém a luta mais complexa e cruel ocorre no íntimo de cada um.
   Os personagens são bastante verossímeis, fascinantes e assustadores. O homem é o personagem mais profundo, sempre seguindo em frente e não deixando nada derrubá-lo em frente a seu filho, fazendo de tudo para que ele possa ter uma infância e para que sua inocência seja preservada. Trabalho extremamente difícil, pois a cada nova cidade centenas de cadáveres secos estão empilhados e espalhados pelas ruas, sem contar as outras pessoas...
   O mundo acabou e muitos morreram... Os que sobreviveram começaram a saquear as lojas em busca de roupas, sapatos e principalmente comida e remédios, uma busca desenfreada de mantimentos... Mas talvez eles soubessem ou preferiram ignorar que tudo aquilo acabaria um dia. A produção tinha cessado, o consumo se tornou exagerado e a renovação dos produtos estava além da imaginação porque nada vingaria na terra estéril que sobrou de modo que chegou a hora em que comida era coisa escassa... Foi então que o canibalismo começou...
   A Estrada foi escolhida como o romance do século e é um livro que todo mundo deveria ler e aguentar as consequências que a leitura traz que de alguma maneira, para o bem ou para o mal, modifica o leitor que passa a encarar o mundo e sua vida sob outra ótica. Um livro inesquecível.

Trecho:
"Você tinha algum amigo?
Sim, tinha.
Muitos?
Sim.
Você se lembra deles?
Sim, eu me lembro deles.
O que aconteceu com eles?
Morreram.
Todos eles?
Sim, todos eles.
Você sente falta deles?
Sim. Muito.
Para onde a gente vai?
Vamos para o sul.
“Está bem.”

Minha nota: ☠☠☠☠☠☠☠☠☠☠ (10/10 Caveiras) 



5 comentários :

  1. Olá Rafa, gostei bastante do seu blog e nossa eu não entraria por essa porta aberta medo(porta do banner)A Estrada de Cormac McCarthy tem uma história muito forte. realmente nos faz refletir.
    beijos.

    www.amostradelivros.blogspot.com.br

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  2. Pelo o que eu percebi esse livro é quase uma distopia certo? Eu já reconhecia o nome dele e a capa pelo filme adaptado dele que passou nos cinemas uns 2 nos atrás, ouvi muitos elogios do filme e do livro, assim como você falou é interessante ver não o apocalipse em si, mas como a humanidade ficou depois dele.
    Abraços.

    http://viciadoemlivrosefilmes.blogspot.com/

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  3. Ah, não sabia que Hemlock Grove era o primeiro livro do Brian... Isso explica bastante! hahaha

    Já me falaram muito sobre o filme A Estrada, mas sempre imaginei que devesse ser muito chato... Mas sua resenha me fez ter outra visão. O livro parece interessante!

    http://sobrelivroseletras.blogspot.com

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  4. O filme a estrada é muito bom e o livro deve ser mais ainda, eu só não acho ele para comprar mais eu recomendo o filme e o livro vc acaba tendo uma visão diferente de muitas coisas inclusive da vida !!

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  5. Eu gostei muito mesmo desse livro e do filme, mas não pude deixar de ficar mal no final. Quem diz que é chato, olha... Lamento, tem que assistir e ler para entender mesmo do que se trata e as profundas implicações a que ele leva. Não digo que é um livro fácil, mas é uma obra que vale à pena por ser profunda e ao mesmo tempo muito humana, mesmo com as barbaridades que alguns fazem para sobreviver.

    =D

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