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29 de março de 2012

Resenha: A Estrada da Noite - Joe Hill




"Os fantasmas sempre nos alcançam, é impossível trancá-los do lado de fora. Eles simplesmente atravessam a porta mesmo que esteja trancada."


       Joe começa com a dedicatória: Para meu pai, um dos bons... O primeiro livro que eu li, que me despertou para a leitura, foi o Iluminado do Stephen King e uma das coisas que lembro é que lá havia uma dedicatória ao pequeno Joe e anos depois leio Estrada da Noite e a dedicatória é retribuída... Isso é magnífico, algo simples mas de uma profundidade inexplicável. 
       Li Estrada da Noite pela primeira vez em um fôlego só, foi um dia e uma noite de tensão sem conseguir desgrudar os olhos das páginas (não aconselho isso, porque perdem-se muitos detalhes que talvez não sejam importantes para a história em geral mas servem de embelezadores, assim como, numa rápida olhada ao céu vemos apenas o azul e não notamos a pequena nuvem ao longe cuja forma lembra...). Personagens consistentes e uma trama bem amarrada embora com um fim um pouco curto fazem do livro uma leitura viciante. Para quem gosta de terror, o livro é o que há de melhor na obra contemporânea. 
     
 Judas Coyne é um uma lenda do rock, aos cinquenta anos quer mais descansar, esquecer um pouco a loucura dos palcos. É o retrato perfeito dos velhos roqueiros à la sexo, drogas e rock´n roll, arrogante e sem-vergonha Jud de início não consegue ganhar totalmente nossa simpatia,  porém vale destacar que há uma mudança interior no personagem ao longo da estória muito inteligente. Cheio de gostos sombrios ele coleciona objetos macabros: Um livro de receitas para canibais, uma confissão de bruxa de 300 anos atrás, o laço usado em um enforcamento, uma fita que contém cenas reais de uma assassinato, o crânio de um japonês do século XVI que foi perfurado para os demônios saírem... Seus fãs conheciam essa sua mania e por isso enviavam os mais variados objetos. Num dia desses, Danny, seu assistente (puxa-saco) mostra o que descobriu num site de leilões: "Compre o fantasma de meu padrasto...". Por mil dólares Jud se torna dono do terno que supostamente é assombrado pelo fantasma. 
       Jud apesar de sua coleção, não acredita em fantasmas e logo descarta sua mais nova aquisição, porém quando fatos estranhos começam a acontecer como o terno aparecer na cama logo após ter sido guardado, as coisas mudam e opiniões mudam também. O roqueiro agora além de enfrentar o fantasma dono do terno, tem que lutar contra "fantasmas do passado" que assombram suas lembranças tirando seu sossego como o da sua ex-namorada ou de seu pai, cada um com sua história e os seus motivos... Joe cria um cenário aterrorizante e carregado  de suspense, o sobrenatural é descrito tão "banalmente" que até parece natural, a história convence  ao contrário do que a  maioria dos leitores acha, acredito que o final é perfeito, bem concluído  não deixa nenhuma dúvida no fim. 

5 comentários :

  1. Que interessante! Adoro Stephen King, apesar de só ter lido A Zona Morta, e não sabia que o filho dele é escritor. Muito bom seu blog. Olha, as pessoas, ultimamente, estão adeptas da leitura rápida do Google, então é ótimo ver que ainda existem leitores assíduos.
    Ah, o Clive Barker também é um ótimo escritor do tipo, acho que você conhece (do Hellraiser), tow querendo ler O Desfiladeiro do Medo.

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    1. Oi, pelo que sei além do do Joe o Owen filho mais velho do Steph também é escritor porém nunca vi nada dele. Joe com certeza é o melhor nome da nova geração, talvez em Estrada da Noite ele ainda esteja um pouco "verde" mas em O Pacto ele se solta de vez, to louco para mais um livro dele rsrs
      conheço Clive mas infelizmente apenas de nome, nunca li nada dele, já vi filmes baseados na sua obra como Lentes do Medo que é genial. Ainda nesse semestre vou sair em busca de uma obra dele...

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  2. O Pacto... Fiquei interessada no título. Você já comentou sobre esse no blog???
    Quanto ao Clive, também estou à espera da compra do livro, é que são tantos os que eu quero, aí acabo vendo, comprando e esqueço minha Booklist.
    Mas O Desfiladeiro do Medo não passa de maio.

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  3. Eu descobri "A Estrada da Noite" por coincidência. Ou, como diria a Yuuko, foi um encontro "inevitável". Ganhei o livro de presente e o li. Me apaixonei. Em seguida, comprei "Fantasmas do Século XX" e "O Pacto". Me apaixonei pelo autor. Eu só fui descobrir que ele era filho do Stephen King depois de terminar "A Estrada da Noite". Admirei o fato de ele escolher não usar o nome do pai. Afinal, ele quer crescer sozinho, com o seu próprio talento e sem a ajuda do pai. Infelizmente, eu ainda não li uma obra de seu pai, o rei do terror (li apenas um pouco de "O Cemitério" e amei). Pretendo ler "À Espera de um Milagre" e terminar "O Cemitério" (entre outros, é claro) o mais breve possível, pois estes são as minhas prioridades. Enfim. Joe Hill herdou o dom da escrita de seu pai, mas não posso dizer (por falta de conhecimento) se é uma escrita semelhante ou não. Como ainda não li nada do Stephen King (ou seja, sendo uma leiga em relação as suas obras), o mestre ou rei do terror, para mim, é o Joe Hill. Vida longa ao(s) rei(s)!

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  4. Olha... esse livro achei bem fraquinho... desde a ideia inicial quanto o desenrolar.
    Mas valeu a experiência de leitura....

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